sábado, 22 de agosto de 2015

Tecido mamário rígido em obesas pode elevar risco de câncer

Por: Jocelyn Kaiser


 A direita: tecido da mama de camundongos obesos tinha fibras colágenas mais reto do que o tecido de ratos magros, uma diferença que pode promover o crescimento do câncer.

  Há muito tempo se sabe que a obesidade torna as mulheres mais propensas ao câncer de mama, mas as razões não são claras. Agora pesquisadores descobriram que o tecido que envolve células do seio é mais “rígido” em ratos e mulheres obesos, e que essa diferença no tecido de roedores estimula o aumento de células cancerígenas. Para mulheres, o estudo aponta que perder peso pode remodelar o tecido de gordura e diminuir as chances de desenvolver câncer. Por outro lado, a prática cada vez maior de usar a gordura de mulheres obesas para cirurgia de reconstrução de seus seios pode apresentar um risco que tem sido negligenciado até agora.
  A obesidade é em geral associada ao câncer, mas a ligação com o câncer de mama é especialmente surpreendente: em um grande estudo recente, as mulheres mais acima do peso apresentaram 58% mais riscos do que mulheres com peso normal. Uma explicação é que tecido de gordura produz estrogênio que pode alimentar o crescimento de células cancerígenas no seio depois da menopausa, quando os ovários param de fabricar estrogênio. Mas os mecanismos da armação que envolve as células do seio — a matriz extracelular — também podem ter sua importância.
 Estudos recentes com ratos descobriram que uma matriz extracelular mais rígida desencadeia a produção de proteínas que promove o crescimento de células cancerígenas no seio. Isso pode ajudar a explicar porque mulheres com seios densos também apresentam maior risco de desenvolverem câncer de mama. Outros estudos mostraram que quando as pessoas se tornam obesas, seus tecidos de gordura tende a construir bolsos fibrosos, como cicatrizes.
  Esses estudos não examinaram diretamente se esses bolsos fibrosos afetam uma rigidez local do tecido do seio, e se essas mudanças levam a um crescimento do câncer. Para explorar essa questão, uma equipe liderada pela engenheira biomédica Claudia Fischbach, da Universidade de Cornell, primeiro mostrou que ratos obesos fêmeas, devido à genética ou a uma dieta com muita gordura, tinham mais camadas de gordura mamária com fibras mais lisas de colágeno do que aquelas vistas em ratos magros. Testes mecânicos mostraram que essas fibras mais lisas refletiam uma matriz extracelular mais dura entre células do seio. Os pesquisadores também descobriram um excesso de miofibroblastos, um tipo de célula envolvida em cicatrização de feridas que modela a estrutura de colágeno e outras proteínas da matriz. Quando a equipe de Cornell cultivou células cancerígenas de câncer humano de mama na matriz depositada por células derivadas da gordura de ratos obesos, as células de câncer aumentaram mais rápido do que fizeram na matriz das células de ratos mais magros.
  Os pesquisadores descobriram diferenças estruturais similares em biopsias em tecidos de gordura de seios de mulheres obesas e magras, relataram na Science Translational Medicine. Os resultados sugerem que os bolsos de matriz mais rígida extracelular em seios de mulheres obesas contribuem para o crescimento do tumor assim como câncer mais agressivos, diz Fischbach: “As pessoas sempre acham que tudo se trata de fatores solúveis, químicos. Essa interação também tem a ver com parâmetros físicos.”
  As notícias não são más: quando a equipe de Fischbach colocou ratos obesos numa dieta, seus tecidos mamários de gordura tinham menos miofibroblastos, sugerindo que a perda de peso poderia tornar a estrutura do tecido de gordura de uma mulher mais normal e diminuir seu risco de desenvolver câncer. Ao mesmo tempo, o estudo levanta questões sobre o uso da gordura de uma mulher de outra parte de seu corpo para reconstruir seus próprios seios depois de uma mastectomia. Tecido gorduroso de uma mulher obesa pode aumentar o risco de volta do tumor, sugere Fischbach.
  A bioquímica Valerie Weaver da Universidade da Califórnia, San Francisco, que conduziu estudos anteriores ligando a rigidez de tecidos ao crescimento do câncer de mama, diz que o relatório é “muito importante” porque descobre um novo mecanismo ligando a obesidade com o câncer de mama. Mamografias normalmente não conseguem detectar tecidos densos em mulheres obesas porque é escondido por células de gordura, diz Fischbach. Os pontos pequenos e localizados de tecido rígido encontrados no novo estudo não devem ser alcançados, ela acrescenta. Então novos métodos de detecção podem ser necessários para diagnosticar esses potenciais pontos quentes geradores de câncer.


Fonte: http://news.sciencemag.org/health/2015/08/stiff-breast-tissue-obese-women-may-raise-cancer-risk

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